AMIGOS FRATERNOS






A foto acima é da visita "fraterna", como definiu uma reportagem cubana, do presidente Lula aos sanguinários Fidel e Raúl Castro. Uma vergonha para o país. Uma vergonha para a democracia e para os direitos humanos. Imaginem uma foto de FHC com Pinochet, ou uma de Serra com Médici. Seriam justamente bombardeados por bajularem fascínoras.

Para piorar, a visita ocorreu no dia seguinte à morte de Orlando Zapata, oposicionista dos irmãos Castro condenado a mais de 30 anos de prisão por discordar da ditadura e que faleceu em decorrência de uma greve de fome (os policiais rejeitaram os últimos pedidos de água do morto, que agonizava em um hospital de quinta). Lula, como de costume, não fez sequer uma censura ao regime cubano e apenas lamentou porque Zapata "se deixou morrer" por uma greve de fome, assim como alguém que "se deixa atropelar" por um carro, esquecendo-se de todo o contexto político da situação. Em uma visita à Venezuela, o presidente disse que naquele país existe "democracia até demais".

Enquanto isso o PT vai tentando passar por cima de todas as intituições brasileiras, fator que deve ganhar mais força com Dilma na presidência, já que ela é conhecida por ser menos "fraterna" que o amigo molusco e chegada a uma armazinha para fazer terrorismo. Ou nos livramos do PT nas próximas eleições ou ele se livra da gente, como seus amigos de "regimes de excessão".

ARRIVEDERCI, CAPITANO



Sete scudetti, cinco Ligas dos Campeões, cinco Supercopas da Europa e da Itália, três Mundiais Interclubes e uma Copa da Itália. Números de toda a história do Milan? Quase. Números de uma lenda: Paolo Maldini.

No último dia 24, em seu 901º jogo pelo Milan, o capitão se despediu de San Siro na derrota para a Roma por 3 a 2. Noves fora o placar adverso e a estupidez dos “ultras” da Curva Sul do estádio (torcida organizada só dá trabalho, em qualquer lugar) - que levaram ao estádio uma facha agressiva por não engolirem o desdém do ídolo pelo bando -, a festa foi bonita, com direito a camisas comemorativas, cachecóis personalizados e lágrimas.

Cada jogador carregava do lado direito do peito um símbolo com a marca do número 3 de Maldini. Enquanto jogavam, observavam a torcida, que cantava e erguia cachecóis em homenagem ao defensor. Ao final da partida, o ídolo deu a famosa volta de agradecimento/reconhecimento no campo e não conteve o choro, observado pelo resto do elenco, claramente emocionado com o feito do capitão.

Maldini é o maior exemplo de toda uma geração. Além dos recordes impressionantes e aparentemente insuperáveis, fora das quatro linhas sempre manteve seu jeito discreto e sua liderança nata. Nada de cabeçadas em adversários, gritos estridentes e sapateadas metafísicas a cada erro da equipe. A tranquilidade de quem sabe o que está fazendo marcou sua carreira. Em uma classe desunida, é um dos poucos atletas admirados pelos colegas, que torcem por seu sucesso. “Ele é fantástico, um vencedor, um jogador que ficou tantos anos no futebol e que conseguiu mudar bastante e se reinventar ao longo do tempo. Em sua posição, acho que ele é um dos maiores em toda a história do futebol”, afirmou Totti, o estraga-prazer da festa de Maldini, autor do terceiro gol da Roma.

Filho do ex-jogador Cesare Maldini, começou a carreira em 1985, com apenas 16 anos, no Milan, único clube de toda a sua carreira. Com sua trajetória dividida entre o clube milanês e a Seleção Italiana, impressionou pelo talento raro a um defensor, que lhe capacitava a sair jogando e a driblar atacantes mais afoitos. Hoje, prestes a completar 41, encerra sua 24ª temporada no clube rossonero, algo praticamente impensável no futebol moderno, em que empresários comercializam jogadores como ações na Bolsa de Valores.

A camisa número 3 de Maldini será aposentada a partir da sua retirada dos gramados. Assim como foi a número 6, de Franco Baresi, que passou a braçadeira a Paolo em 1997. O Milan, por sinal, parece ser hoje o clube mais apegado a suas tradições: mesmo com um futebol globalizado, seis titulares são italianos e o corpo técnico do clube está recheado de ex-jogadores. Não será surpresa para ninguém se em um futuro próximo Maldini assumir pela primeira vez um lugar cativo no banco de reservas do Milan, como treinador.

Este ano perdemos, além de Maldini, Nedved, o craque tcheco da Juventus. Pena para o futebol, que se apequena.


CARA-DE-PAU




Algumas publicações da imprensa brasileira perderam o senso de ridículo já há muito, no entanto, a Caros Amigos passou dos limites. Nunca havia visto tanta desfaçatez em apenas uma edição. E olha que nos últimos tempos figuras como Protógenez e De Sanctis encheram os noticiários de tolices e alimentaram as maiores bestas jornalísticas. Enfim, vamos ao caso.

A edição de abril da Caros Amigos traz na capa uma foto da manifestação contra o termo "ditabranda" utilizado em editorial da Folha, com os seguintes dizeres: "'Ditabranda' nunca mais". No miolo da revista, críticas contundentes contra o ato irresponsável do jornal paulista de minimizar um dos momentos negros de nossa história (no entender da publicação). Bem, até aí, apenas pensei comigo: "Idiotice, não foi nada disso, mas eles podem ter as opiniões deles". O que me causou espanto foi me deparar com um artigo assinado por nada mais nada menos que Fidel Castro, um dos maiores ditadores da história, na mesma revista, no mesmo volume, comentando sobre a crise do capitalismo.

Só pude rir. Afirmam que a Folha não merece ser lida, por seus jornalistas responsáveis pelo editorial pensarem que o regime arbitrário brasileiro foi mais brando que os outros de nosso continente (e não foi?), mas cantam as glórias da democracia com um humanista como Fidel. Faça-me o favor! Achei que o caso "ditabranda" tinha parado na estupidez de Comparato e Benevides, outros que tremem só de pensar na ditadura brasileira e se emocionam ao lembrar da ilha-prisão.

Não vai demorar para estamparem uma capa contra o racismo com um reflexão de Hitler no meio da revista. Ou uma homenagem a Getúlio Vargas com alguma coluna de Carlos Lacerda. Se bem que basta a Marilene Felinto para sintetizar a boçalidade da revista.

RATOS DE LABORATÓRIO





O quadro geral do esporte de alto rendimento é preocupante e desanimador. Os atletas-máquinas atuais são fabricados com prazo de validade e logo são expostos ao ridículo. Não é mais possível disputar os primeiros lugares sem a ajuda de remédios, substâncias estimuladoras e muito sacrifício – mesmo que acompanhados de pouco talento.

Basta uma visita a qualquer centro de treinamento da natação, do futebol e do basquete, por exemplo, para verificar que nenhum atleta passa um dia longe de suas embalagens de suplemento alimentar e de uma equipe enorme de cientistas malucos (fisiologistas, fisioterapeutas, preparadores físicos etc.), indispensáveis para as mais humildes pretensões no esporte moderno. A lavagem cerebral é feita por frases de efeito, como “Não é possível vencer sem dor” e “Você tem que estar disposto a tudo, se quer alcançar os seus objetivos”. Misturam sem dó nem piedade os sentimentos mais nobres do ser humano com o tecnicismo da vitória a qualquer preço.

O resultado são coisas mais chegadas ao Robocop do que ao homem. Esportistas que transitam sem limites entre o real e o fantástico, capazes das mais diversas proezas em um curto espaço de tempo. Quem não se lembra de Ronaldinho Gaúcho, no futebol, de Roger Federer, no tênis, e de Ian Thorpe, na natação? Aptos, mas bombardeados pela medicina esportiva, reinaram por alguns anos e hoje, ainda novos, estão em um claro declínio na carreira (com exceção de Torpe, que nem em queda está, pois já se aposentou, cercado por denúncias de dopping).

Os problemas causados pelos anabolizantes e pelos treinos desproporcionais com o corpo humano arrastam-se por toda a vida, estando os atletas em atividade ou não. O tempo sempre aparece para cobrar de quem quis passar de seus limites. Especula-se se Ronaldo conseguirá levantar do sofá aos 50 anos, Romário ficou manco, não se sabe a longevidade da carreira de Rafael Nadal, por ele ter apenas 22 anos de idade e sofrer de lesões crônicas.

Com tudo isso, a coroa está cada ano em uma mão. No futebol, de Ronaldinho passou para Kaká, dele para Cristiano Ronaldo, de Cristiano para Messi, e assim deve seguir sua peregrinação. Gasta-se milhões de euros em atletas por ano. Depois de usá-los, basta dobrar a embalagem e guardá-los. Os mutantes ainda vão dominar o mundo!

CAFÉ PEQUENO





A Câmara dos Deputados definitivamente é um lugar de non-sense. Pego com o castelo na mão, o deputado Edmar Moreira(DEM) foi obrigado a abdicar do cargo de 2º vice-presidente e corregedor da casa por não ter como explicar seu enriquecimento e suas dívidas trabalhistas - diga-se, foi compelido pelo DEM a renunciar ao posto e incentivado a se desligar formalmente da sigla, coisa que o PT não fez com nenhum dos mensaleiros. Para o seu lugar, o herdeiro não de um castelo, mas de um estado, o da Bahia, ACM Neto. Já que é pra ocupar um cargo deste naipe, vamos colocar alguém que realmente tenha a envergadura necessária. Castelo é coisa de Rapunzel, melhor um legítimo nobre, acostumado com as maracutaias políticas desde tenra idade.

ARITMÉTICA


BONITINHO, MAS ORDINÁRIO




Sempre que há qualquer suspeita de preconceito com relação a qualquer minoria, surge uma justificada indignação. O problema é quando ele se dirige a parcelas da sociedade que possuem estereótipos que fogem ao vitimismo, acostumadas a serem vistas como o topo da hierarquia da civilização. Brancos, judeus, americanos, intelectuais e afins parecem não ter o mesmo direito dos demais (dentro do politicamente correto), visto que supostamente já ultrapassaram suas cotas de bem-estar. Lembremos a revolta contra um artigo de protesto escrito por Luciano Huck depois de um assalto; ele é famoso e milionário, que se dê por satisfeito por estar vivo e não encha o saco. O nariz de cera é apenas para evocar os olhares de esguelha destinados a David Beckham, que ao mesmo tempo em que consegue contratos de publicidade pela aparência não tem o seu futebol valorizado pelo mesmo motivo.

Não entendo como um cara que disputou três Copas do Mundo, jogou pelo Manchester United, Real Madrid e Milan, além de liderar a seleção inglesa, pode ser visto com tanto desdém. Muricy Ramalho é elogiado na TV quando diz que pelo menos 30% dos gols saem por meio de bolas paradas; Beckham é o melhor do mundo no fundamento. Os argentinos gostam de times que se recomponham com facilidade; Beckham atua tanto de volante como de armador. Os comentaristas, corneteiros atávicos, lamentam a escassez de lançamentos no futebol moderno; Beckham faz os mais precisos. Enfim, seja pela ficha técnica, seja pelo que já demonstrou em campo, Beckham devia ser mais apreciado. Está na hora das pessoas perceberem que ele é jogador de futebol pelo seu talento, nenhuma carreira na história desse esporte foi emplacada pela beleza.

Claro que não vou negar que o rapaz é bom de marketing. Talvez em um semestre o seu clube já tenha de volta o dinheiro investido. Mas esse deveria ser mais um ponto a favor dele, e não contra. Se, por motivos publicitários, ele não jogasse, faltasse a treinos, alegasse contusões, tudo bem; cumprindo com suas obrigações, como ele faz, ser bom de mídia é apenas um upgrade. As russas Isinbayeva e Sharapova estão aí para confirmar. E a também russa Kournikova idem, por outro viés, mostrando como uma atleta apenas bonita não se mantém no topo.

No último domingo Beckham marcou o terceiro gol do Milan sobre o Bologna, o primeiro dele com a camisa rossonera. É titular, já conquistou os italianos e o treinador Carlo Ancelotti. O turrão Fabio Capello foi outro a ceder aos seus dotes. Chegou a afastar o inglês do Real por ele ter assinado com o Los Angeles Galaxy, mas, depois, em um momento de aperto do time, o trouxe de volta aos gramados e se encantou pelo seu futebol e por sua humildade. Ah, só para constar, Beckham foi o melhor jogador desse Real Madrid e da última conquista nacional do clube merengue.

Com tudo isso, ainda parece que a cada lugar que ele chega é preciso que sua presença seja imposta, que os entendidos aceitem a sua companhia. Uma volta à carreira de Beckham responde com facilidade que é ele quem costuma socorrer os experts nos momentos de crise financeira ou de crise técnica, independente do batom, do penteado e de suas axilas raspadas.